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7 x 1 ou 0 x1? O Conceito e a Prática das Equipes na Advocacia Corporativa Contemporânea de Alto Rendimento

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Quem perdeu a triste Copa do Mundo Fifa de Futebol Masculino em 2014 (no Brasil), a famosa vergonha internacional da nossa seleção canarinho? Todos nós!! E quem deve pensar no assunto com mais calma e atenção para com o episódio aprender? Igualmente, todos nós!

Muito mais do que perdermos tempo com a procura por culpados, parece-nos mais produtivo entender o que aconteceu e qual foi a razão. Para aprendermos! Certas perdas ou derrotas podem (até) “dar” a falsa impressão de serem individuais, ou mesmo de um pequeno grupo, mas em verdade significam muito mais.

Seja na vitória ou no fracasso o resultado imediato tende a ser apenas uma “ponta de iceberg”.

Na mesma linha – qual foi a dor maior, o vexame da derrota brasileira para a Alemanha (o massacre que assistimos) ou a dolorosa (e já mais antiga) desconcertante perda para o Uruguai no Maracanã em 1950? De certa forma é a “mesma coisa”.

E a questão não está simplesmente em ganhar ou perder, mas no que se aprende em cada situação.

Veja também: A Solidão do Gestor do Departamento Jurídico das Empresas e a Importância do Conceito de Equipe

A simbólica e desesperadora experiência vivenciada por desastres tão emblemáticos pode, e deve, gerar reflexões bem mais amplas e profundas do que a mera análise no campo daquele esporte.

Pouca gente percebeu que a vida atual, tanto pessoal como em todas as demais configurações, e também nas empresas, é um grande campeonato de longo prazo em modalidade coletiva.

Temos que aprender que vitória real e sustentável só existe ao longo do tempo, pois o que conta é o campeonato – e não apenas cada jogo.

Em modalidades coletivas e torneios, ou todos vencem ou todos perdem. E temos que aprender com essa verdade e usá-la de forma positiva, construtiva e produtiva.

Super atletas e jogadas individuais brilhantes podem sim decidir uma partida, mas não levam à taça.

Na vida, e no mundo empresarial, quem primeiro aprender essa realidade, e adaptar toda a sua mentalidade, e o seu modo de atuação, para que o time vença, e que o grupo conquiste o lugar mais alto no podium, conseguirá mais e melhores resultados – e mais sustentáveis.

Temos que aprender de uma vez por todas que a exemplo da “copa do mundo”, também nas famílias e nas empresas, não há mais vitórias ou derrotas individuais, à medida em que os efetivos resultados são coletivos e fruto das colaborações (positivas ou negativas) de todos os envolvidos.

O “brilho” pode ser individual em momentos muito específicos, como num solo de instrumento em algum instante num grande concerto, mas o espetáculo é realmente avaliado como bom ou ruim em função do “todo” – de toda a orquestra.

Num filme ou espetáculo pode haver uma ou outra cena maravilhosa (e outras péssimas), mas é o todo que será considerado resultado efetivo e que ficará na mente das pessoas.

Pode até “parecer” que ainda há atleta totalmente solitário, mas quando se olha “mais de perto” na quase totalidade dos casos há uma grande equipe de colaboradores envolvida no projeto.

O mesmo ocorre, por exemplo, na música, no cinema, nas artes em geral etc. “Tudo” depende, agora, do sucesso de um grupo.

A “chegada” da tecnologia amplia a complexidade, pois as “máquinas” de certa forma integram também o time.

Assim como nos esportes, os vôos realmente solo já não existem; e para conseguirmos vitórias reais temos que atuar em times, em equipes. E “remando” todos para o mesmo lado, com o mesmo objetivo, a mesma dedicação, o mesmo empenho, a mesma velocidade, a mesma força, para que “o todo vença”.

Sejam gestores, patrocinadores, fornecedores de estrutura, técnicos, preparadores, iluminadores, figurinistas, engenheiros, psicólogos ou qualquer um que integre as dezenas e dezenas (muitas vezes até mais) de profissionais envolvidos e dedicados para o brilho do atleta ou do artista, é o grupo que gera o resultado.

As modalidades individuais também se tornaram coletivas – e ainda que no momento da “prova” (ou do concerto) apenas uma pessoa “apareça”, ou algumas delas, mais e mais há uma grande estrutura de formação e apoio que dá sustentação ao atleta (ou quem parecer ser o protagonista) que “parece” estar sozinho.

No mundo corporativo empresas são criadas todos os dias, assim como mortas, muitas crescem outras diminuem, muitas ganham dinheiro e mercado, outras perdem e sempre (sempre!) o resultado é fruto do trabalho de todos os envolvidos.

Obviamente não seria diferente na advocacia corporativa/ nos departamentos jurídicos das empresas, uma vez que independentemente do tamanho e do porte do grupo, e seja ele apenas interno, apenas externo, ou misto, e independentemente da presença da automação e da inteligência artificial como ferramenta, ou todos conseguem ajudar a empresa como um todo a vencer, ou cada um já estará ajudando a empresa a perder.

Organizações com liderança moderna, modelo de negócio sustentável, bons departamentos de recursos humanos, boa governança corporativa e “compliance” real, tendem a conseguir melhores resultados SE efetivamente trabalharem como um grande time.

Assim como no futebol masculino em que Messi, Neymar e Cristiano (a despeito de serem inegavelmente alguns dos melhores do mundo na atualidade) provavelmente não ganhem nenhuma copa do mundo (pois suas equipes não conseguem ser realmente equipes vencedoras) nas empresas não faz mais sentido pensar em termos individuais.

Os chamados talentos só “servem de fato para alguma coisa” se forem bem escolhidos, geridos e inseridos em equipes realmente de alta performance e vencedoras.

No famigerado jogo dos 7 x 1, em que “o Brasil” “levou” 7 gols (Sete!!) e converteu apenas 1, a história teria sido totalmente diferente se “o mesmo” 1 gol convertido pela “nossa seleção” tivesse sido o único da partida (se não tivéssemos sofrido nenhum).

Ao contrário do esporte individual (no qual mesmo assim defendemos que o resultado seja fruto do grupo) não adianta focar apenas no sucesso deste ou daquele, e nem nessa ou naquela função ou posição. O “segredo” está no todo, na somatória,

Uma seleção não pode ter apenas goleiro excelente, para não “levar gols”, atacante para marcá-los, meio de campo para criar jogadas, técnico para estruturar e orientar etc. etc. É preciso ter tudo!! É preciso ter e ser um time, e atuar como tal.

A real qualidade e competência do grupo é a do grupo como um todo, e não uma mera soma das “performances” individuais.

Nas copas de 2014 e de 2018 os “países vencedores” não ficaram conhecidos por terem em suas seleções este ou aquele super atleta, mas por terem jogado como equipes, com foco no conjunto e no resultado final.

Em outras palavras, a questão toda não se resume a termos marcado apenas 1, mas em termos “levado 7” gols!! Se o resultado tivesse sido 0 x 1 “a copa” teria sido outra.

Nas atuais equipes de nossos departamentos jurídicos, as estrelas podem fazer toda a diferença em uma situação específica, como em uma negociação, num contrato, numa petição, numa sustentação oral, num projeto, num caso ou em um parecer (entre tantos outros possíveis exemplos), mas o sucesso “para valer” depende do resultado final do campeonato todo.

O tema logicamente é muito amplo e “conversa” com liderança, recrutamento, modelo de atuação, gestão de equipe, empatia, envolvimento, motivação, e muitos outros conceitos que abordamos em

outros artigos, mas um dos focos principais na busca por bons resultados é necessariamente o verdadeiro trabalho em equipe.

Você prefere integrar uma equipe que perde com o placar de 7 x 1 ou que vence por 0 x 1?

Essa é a reflexão que importa e o aprendizado que propomos.

E na sua empresa as pessoas atuam em verdadeiros times (e que se preocupam com o resultado final do campeonato) ou ainda se comportam como se fossem apenas pessoas que trabalham no mesmo lugar e se preocupam com o jogo do dia?

Biografia do Autor

O gestor jurídico Leo Leite AdvocaciaLeonardo Barém Leite é advogado em São Paulo, especializado em negócios e em advocacia corporativa, sócio sênior da área empresarial de Almeida Advogados, com foco em contratos e projetos, societário, governança corporativa, “Compliance”, fusões e aquisições (M&A), “joint ventures”, mercado de capitais, propriedade intelectual, estratégia de negócios, infraestrutura e atividades reguladas.

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (“São Francisco”) com especialização em direito empresarial, pós graduado em administração e em economia de empresas pela EAESP-FGV/SP, bem como em Gestão de Serviços Jurídicos pela mesma instituição. Pós-graduado em “Law & Economics” pela Escola de Direito da FGV/SP, especializado em Direito Empresarial pela Escola Paulista da Magistratura (EPM) e em Conselho de Administração pelo IBGC/SP. Mestre em “Direito Norte Americano e em Jurisprudência Comparada” pela “New York University School of Law” (NYU/EUA).

É membro de diversos conselhos de instituições brasileiras e internacionais, autor de diversas obras sobre gestão jurídica estratégica e direito empresarial, professor em cursos de pós-graduação. Integra várias comissões e comitês de advocacia corporativa em São Paulo e em outros estados.

É professor em cursos de especialização em Gestão Estratégica de Departamentos Jurídicos de Empresas na FIA e na FAAP, em São Paulo, e autor de livros sobre o assunto. Foi sócio do escritório Demarest e Almeida – Advogados onde atuou por mais de 20 anos, e também advogado estrangeiro no escritório Sullivan & Cromwell em NY e na Europa nos anos 1990.

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