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A Importância e o Valor dos “Cabelos Brancos” no Mundo e na Advocacia Corporativa

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O que aqui se propõe é uma efetiva, realista e profunda reflexão sobre a importância e o valor dos chamados “cabelos brancos”, na sociedade e no mundo corporativo e na advocacia corporativa – uma vez que o tema parece estar esquecido. E tem sido tratado de maneira equivocada e simplista.

A lição de que o “segredo” está no equilíbrio indica que temos que encontrá-lo (neste caso) entre maturidade/experiência, juventude e tecnologia.

Vive-se uma espécie de obsessão pelo novo, pelo moderno, pelo jovem, pelo rápido, pelo barato e pelo digital ou tecnológico. E muitos (muitos!!) deixaram para trás a noção de que o “ideal” não é este ou aquele, mas o conjunto.

A maturidade e a experiência

A resposta à natural pergunta sobre o que é melhor no mundo corporativo não podia ser outra: Depende!!

Haverá momentos e situações em que a tecnologia será mais adequada, como outros em que será a juventude, mas é preciso saber que a maturidade e a experiência precisam ser respeitadas e mantidas “à mão”.

A história e a literatura ensinam em muitos exemplos que “desde sempre” em situações de crise (especialmente as “inéditas”) se recorreu e recorre aos mais experientes e seniores. Isso não pode e não deve mudar.

Nenhum remédio serve sempre e/ou para tudo, sendo preciso avaliar caso a caso, assim como os prós e os contras, as vantagens e as desvantagens de cada técnica, recurso, pessoa ou ferramenta.

A “pseudo-verdade” de que o mundo hoje é dos jovens, das máquinas, dos “softwares” e do que for mais rápido e barato é muitíssimo perigosa.

No mundo corporativo não há nada sobrando

Desde sempre a humanidade aprendeu, assim como ocorre na fauna e na flora (e mesmo em toda a natureza e no universo), que a “vida” tem o seu ciclo; e que cada etapa tem a sua importância, o seu valor e a sua razão de ser.

Cada momento, cada etapa, cada ciclo tem suas características e seus aspectos próprios – Todos fundamentais! Alguns tem essa ou aquela vantagem e desvantagem em um certo momento, outros em outro e assim por diante.

Na natureza (se pudermos aproveitar a analogia que aprendemos desde os bancos escolares) nada se perde, não há “nada sobrando e nem nada faltando”. Assim é na vida. E o mundo corporativo também segue essa lógica.

Aprende-se que não há fase certa ou errada, melhor ou pior, mais ou menos importante, nem fase “a mais” ou que seja “descartável” – pois a beleza e o sentido global estão no todo. No conjunto de etapas.

Trata-se de um erro enorme imaginar que a resposta certa virá sempre das máquinas, ou dos jovens, ou dos que tem essa ou aquela formação. Sempre será preciso verificar a situação e o caso concretos, assim como as opções disponíveis para com eles lidar.

O dilema nas empresas entre os jovens e os “idosos” é falso. Cada “um” tem o seu espaço, o seu momento e é o mais adequado para este ou aquele caso. O conjunto é que realmente conta!

Como todo ciclo (e as pessoas, as sociedades, as civilizações, as empresas, as famílias etc. tem os seus), uma etapa depende da outra e gera a seguinte, em um fluxo conceitualmente perfeito e sequencial. Tentar tirar o brilho, a importância, a razão e a função de qualquer etapa/fase é não apenas um tremendo erro, como tende a gerar consequências danosas.

Costumo pensar que a vida é um “grande campeonato esportivo de longa duração”, em modalidade coletiva – e neste caso cabe a metáfora de uma prova de revezamento.

Todos na equipe são igualmente importantes e responsáveis pelo todo – não apenas pelo resultado final, como também por não deixarem “o bastão cair”.

Como dissemos acima, o Mundo atual e a advocacia corporativa parecem estar em um momento do culto exagerado ao “novo”, ao jovem – e isso pode não ser tão bom como muitos tendem a imaginar.

Reconhecer os méritos de cada etapa e de cada fase é importante, assim como as competências e as características de cada pessoa, mas é ainda mais importante entender que todas são necessárias e nenhuma delas pode ser “jogada fora”.

Se de um lado, devemos sim reconhecer e prestigiar a juventude – e a sua força, a sua possível inovação, e o seu dinamismo, igualmente, do outro, devemos entender a importância e o valor da maturidade. Especialmente nas crises e nos momentos chave da vida.

Os chamados “cabelos brancos” estão sendo pouco entendidos e reconhecidos nas organizações – e as poucas que já entenderam o poder, o valor e a importância dessa diversidade (com gritantes vantagens e ganhos) estão “saindo na frente”.

Torna-se urgente entender a importância e o valor dos mais seniores, para que esses permaneçam nas organizações, atualizados, ativos, interessados, motivados, engajados, e reconhecidos como todos os colaboradores.

Focar apenas nos jovens (e seria o mesmo no caso contrário) é um grande erro.

Se nada substitui a juventude, nada (da mesma forma) substitui a maturidade, o conhecimento e a sabedoria aprendidos e acumulados.

Em algumas organizações as gerações após os 40 (algumas 50) anos de idade já estão sendo expulsas e trocadas apenas (e aí esta o exagero) pela juventude. Ou seja, em muitas empresas e departamentos têm se cometido o enorme, tremendo, preocupante, erro da “super valorização” do novo e do jovem – em detrimento do equilíbrio e da percepção do valor do todo.

Não há e não haverá esse conceito de equilíbrio, de equipe e de todo se jogarmos fora qualquer dos agentes.

Ainda que brilhantes, uns tem a juventude e outros a experiência – e é esse “mix” que gera reais resultados positivos, e do qual temos que cuidar. No tocante à automação é a mesma coisa. Se a tecnologia ajuda (e ajuda mesmo) temos que saber que os humanos também. Depende do caso!

É o todo, o conjunto harmônico, que leva à beleza e aos resultados que se pretende – em especial nas empresas.

Se não criarmos espaço para os jovens nas organizações, eles não terão vez, e buscarão outros desafios, levando tais empresas a envelhecer – e no limite a morrer. Mas se de outro lado expulsarmos os seniores (ou os deixarmos “encostados”), eles não estarão ali (ou não estarão motivados, ativos, atualizados) nos momentos críticos. Os dois exageros estão errados!! Extremamente errados!!

Se segredo existe, está no equilíbrio e na harmonia.

Todos têm o seu papel, todas as fases têm seus picos de importância, e o momento de se focar nesta ou naquela. Ignorar o contexto geral é pouco ou nada inteligente.

Cultivar apenas uma das fases ou das ferramentas/técnicas, qualquer que seja, seria “ver apenas um lado da moeda”. E os demais recursos certamente farão enorme falta.

O culto, a meu ver exagerado e desmedido, ao “novo”, ao extremamente tecnológico e automatizado, aos robôs, aos “softwares”/sistemas, aos aplicativos, à pressa/urgência, à redução de custos, aos gráficos, aos relatórios etc. é olhar apenas um lado.

Veja também: A Complementariedade entre Máquinas e Humanos na Advocacia Corporativa Contemporânea

Haverá sim momentos e situações em que esse é o ponto. Mas haverá também casos em que “o outro lado” precisará ser respeitado. Casos em que a maturidade e a experiência, assim como a sabedoria e as “horas de vôo”, ainda que de forma menos rápida e até menos barata, darão a resposta correta e necessária.

Esse contexto todo e a necessidade do equilíbrio deve ser melhor entendido e talvez repensado. Recomenda-se CUIDADO!!

Esse conjunto de modernidades (“Tudo isso”) é de fato importante, mas será mesmo que “basta”? Será mesmo que para todos os assuntos, temas, situações, crises, problemas e dúvidas nas empresas a solução está apenas e exclusivamente na tecnologia e na juventude total? Entendo que não!!

Máquinas e sistemas acertam muito, mas assim como as pessoas, em alguns casos erram, ou algo “dá errado”. “E aí?” Quem terá sabedoria, experiência e conhecimento para corrigir se os seniores tiverem sido afastados do jogo?

Como qualquer recurso (pessoal, mecânico ou digital), o que não for usado, não tiver uma certa manutenção etc. “estragará” e não estará disponível como dele se precisa quando for acionado.

Quando os jovens e as máquinas não tiverem respostas, em especial as que dependem da maturidade e “das horas de vôo”, quem ajudará se os “cabelos brancos” não estiverem a postos?

É do conjunto de todas as “idades”, e na verdade da diversidade real (não apenas de gênero ou de raça, ou de idade, ou de formação), que se conseguirá o efetivo melhor resultado pretendido. É da inclusão de fato e permanente, com a sabedoria de manter todos engajados e ativos, que virão as respostas mais precisas e importantes.

Um dos principais erros que se comete em muitas empresas (com esse pensamento e atitude do exagero culto ao moderno) é o de se “jogar fora” a experiência e a sabedoria acumuladas pelos mais “seniores”. Além de pouco inteligente, esse caminho  não é sustentável  – está errado!

Nada (e nem ninguém) estará à sua disposição (no caso – da empresa) se não fizer parte da equipe e não estiver “jogando”.

Vivemos um tempo de veneração à Inteligência Artificial, à rapidez, à redução de custos, à automação extrema, à informação, aos “softwares/sistemas/algoritmos/robôs” e ao talvez enganoso ganho de produtividade e de resultados. Cuidado – esse é apenas um “dos lados” da moeda.

Esse modelo em geral não leva em conta a sustentabilidade e a plena diversidade – e como dissemos, joga fora a experiência real construída com anos e anos (por vezes décadas) de atividade humana. “Não dá certo” jogar fora tudo isso a médio prazo!

Sem o devido respeito (na prática) e utilização (efetiva e constante) da sabedoria e do conhecimento humano acumulado (muito mais do que “apenas” informação e inteligência), o que os “cabelos brancos” aprenderam ao longo de décadas de experiência será jogado fora. E quando necessário (e é uma certeza de que o será) pode não mais existir.

Quando algo tiver uma “pane geral”, uma super crise (e elas vem!!), quem será chamado para “consertar”?

Quando as “máquinas” não encontrarem uma saída para uma questão (“jamais pensada”), quem terá a criatividade, a sabedoria e a experiência para ajudar?

Quando os jovens, apesar de vindos de super faculdades modernas e cheios de energia não tiverem condições de resolver casos complexos que nunca imaginaram haver, quem será chamado”?

Essa provocação que (espera-se) gerará profunda e efetiva reflexão em todos, aplica-se totalmente ao mundo corporativo, e mais próxima ao nosso universo, à advocacia corporativa.

Certamente você e a sua empresa estão buscando os “softwares/sistemas/robôs” ideais para automatizar tudo, assim como trocando “velhos por jovens”. Focando na melhor redução de custos, de pessoas, de fluxos e buscando os melhores relatórios.

Quase não se fala em outro tema que não os relatórios, os fluxos, o famoso “B.I.”, a rapidez e os relatórios ou gráficos “lindos”, os colaboradores jovens e os novos talentos.

É apenas um lado!

Gestão estratégica de fato não é apenas tecnologia e automação, e nem juventude!

Investir em TI ou nos jovens não é errado (ao contrário, é fundamental), mas a questão mais profunda que se vê é a falta de equilíbrio, e a falta de atenção à formação e às competências que os “humanos” precisam ter para esse novo mundo, em especial quanto a maturidade.

Assim, quando vemos que as empresas estão cometendo o grave erro do culto exagerado à redução de custos e ao corte de pessoas – que como tudo o que existe em exagero produz grandes desastres; o que faremos?

Essa “dispensa” de cérebros é ainda mais gritante nas pessoas mais experientes – vamos continuar nesse caminho?

Nessa linha, muitas empresas estão caindo na gritante armadilha de confundir investimentos e gastos necessários, com o desperdício ou o com alto custo dispensável.

Esse pensamento e essa prática exagerados, se levados adiante, gerarão uma realidade perigosa. E deixará tais empresas rapidamente à mercê das máquinas e dos programas (que podem ter erros de concepção, de implantação, de alimentação, de gestão, de utilização – além de poderem ser manipulados, invadidos, utilizados propositalmente de forma errada etc. e ainda podem ser desvirtuados ou sofrer com interfaces errôneas). Sem contar que não há como (nos dias de hoje) incluir a efetiva sabedoria e maturidade dos “cabelos brancos” nas “máquinas”.

Tragamos o tema à advocacia corporativa e à reflexão dos departamentos jurídicos

A advocacia corporativa precisa sim da juventude, da modernidade, da tecnologia, da automação, da inteligência artificial, da rapidez, da redução de custos e do ganho de eficiência jurídico corporativa – claro que sim!! Mas com cautela e com equilíbrio.

Profissionais (humanos) seniores, experientes, bem preparados e com enorme carreira de conquistas e aprendizado, são fundamentais na equipe – para que o trabalho ocorra em conjunto com jovens e com tecnologia, pois é do todo que se conseguirá o resultado mais preciso.

Executivos cada vez mais jovens (brilhantes é verdade), equipes cada vez mais enxutas, economia insustentável, e a tendência de automação total/extrema, levam a um prognóstico perigoso que pode “eliminar” os “cabelos brancos” do contexto. Seja nas empresas seja nos escritórios de advocacia.

Procurar por escritórios de advogados super modernos, apenas com jovens, com altíssima tecnologia, e focados exclusivamente em rapidez, automação e custos baixos não será uma boa ideia sempre.

O cuidadoso critério sobre o que deve ser levado aos jovens e às “máquinas”, e o que deve ser levado aos mais experientes e seniores é fundamental. E poucos já entenderam essa questão tão profunda quanto complexa.

Lembremo-nos de que o “ideal” é sempre o equilíbrio e a convivência harmônica, para que do conjunto, da somatória e do todo se consiga de fato extrair o melhor resultado global/total (qualidade = e não apenas custo e tempo).

Haverá assuntos e “horas” para cada um. Estejamos certos disso.

Aprendamos que para isso, ou seja, para que o equilíbrio entre o “novo e o estabelecido”, o “jovem e o experiente’, o “conhecimento e a sabedoria – e a inteligência”, o rápido e o barato x o necessário ocorra; o humano e o digital são fundamentais!!

Se jogarmos um deles fora, o que “sobrar” falhará.

Atualmente temos veículos autônomos, robôs cirurgiões, máquinas inteligentes, “softwares” e aplicativos para tudo etc. E isso é fantástico. Mas ainda       (ao menos por muito tempo) a humanidade precisará do conhecimento, da experiência, da criatividade e da sabedoria dos “cabelos brancos” em todas as áreas e profissões, para casos e situações críticas. Para os casos em que “ninguém colocou” aquela exata informação na máquina (e mesmo as inteligentes não aprenderam) a solução será a experiência.

Para algo “comum e corriqueiro” talvez você prefira o jovem, o que tem mais energia e força, ou a tecnologia, mas para uma cirurgia realmente complexa e arriscada, para um contrato de fato impactante, para tomadas de decisão em crises profundas, para aquele pouso de avião que a máquina não foi preparada para realizar, você prefere uma “máquina”, um jovem talento, ou alguém de altíssima qualidade, experiência e trajetória brilhantes, e cabelos brancos?

As máquinas assim como os jovens aprenderão com os erros e com as situações, mas você quer ser o primeiro erro para gerar a primeira informação? Você quer arcar com o custo e a responsabilidade da sua equipe trilhar todo o aprendizado sozinha?

Naquela situação de extrema crise na sua empresa, que de tão improvável não consta nos manuais e não esta “nas máquinas”, a quem você recorrerá?

Conclusão

Num voo que tenha problemas “novos” (lembre-se do filme Sully), numa cirurgia nunca realizada, numa situação complexa e nova na empresa, será a máquina ou o jovem a decidir tudo?

Cuidado com o exagero! Procuremos com sabedoria e calma o equilíbrio. E antes que já não tenhamos “cabelos brancos” maduros, experientes, atualizados, e também modernos e inovadores para atuar em conjunto com a tecnologia e a juventude.

Pense bem sobre como você está lidando com a questão na sua empresa e se você está sabendo manter o equilíbrio na sua estrutura interna e externa.

Tudo passa, e a beleza exagerada da juventude também!! Atenção para não aprender “tarde demais” e “da forma mais cara”.

Procure refletir sobre o tema. E sobre como a sua empresa e o seu departamento jurídico estão cuidando da beleza e da importância de se reconhecer e valorizar “os cabelos brancos”

Biografia do Autor

Leonardo Barém Leite é advogado em São Paulo, especializado em negócios e em advocacia corporativa, sócio sênior da área empresarial de Almeida Advogados, com foco em contratos e projetos, societário, governança corporativa, “Compliance”, fusões e aquisições (M&A), “joint ventures”, mercado de capitais, propriedade intelectual, estratégia de negócios, infraestrutura e atividades reguladas.

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (“São Francisco”) com especialização em direito empresarial, pós graduado em administração e em economia de empresas pela EAESP-FGV/SP, bem como em Gestão de Serviços Jurídicos pela mesma instituição. Pós-graduado em “Law & Economics” pela Escola de Direito da FGV/SP, especializado em Direito Empresarial pela Escola Paulista da Magistratura (EPM) e em Conselho de Administração pelo IBGC/SP. Mestre em “Direito Norte Americano e em Jurisprudência Comparada” pela “New York University School of Law” (NYU/EUA).

É membro de diversos conselhos de instituições brasileiras e internacionais, autor de diversas obras sobre gestão jurídica estratégica e direito empresarial, professor em cursos de pós-graduação. Integra várias comissões e comitês de advocacia corporativa em São Paulo e em outros estados.

É professor em cursos de especialização em Gestão Estratégica de Departamentos Jurídicos de Empresas na FIA e na FAAP, em São Paulo, e autor de livros sobre o assunto. Foi sócio do escritório Demarest e Almeida – Advogados onde atuou por mais de 20 anos, e também advogado estrangeiro no escritório Sullivan & Cromwell em NY e na Europa nos anos 1990.

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