A mediação em tempos de crise (um dos aprendizados dos tempos difíceis)

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Por Leonardo Leite

Crises sempre existiram e sempre existirão!

Há muito, sabemos que as três certezas absolutas da vida são a morte, os impostos e as crises. E a grande questão é como lidamos com elas.

Conhecedores dessa realidade, temos que aceitar a “certeza” e a frequência das crises, mas não necessariamente agir de forma passiva e muito menos ficar esperando que as crises simplesmente passem, ou que “alguém” com elas acabe.

Uma das grandes perguntas em tempos difíceis é o que cada um de nós fará ao longo do período e como ajudaremos (a família, a equipe, a empresa, a coletividade) a lidar com as situações que chegarem.

Sendo inevitáveis e constantes, o ponto central talvez seja transformar os desafios em objetivos. E procurarmos o lado positivo e construtivo de cada crise.

Tivemos, temos e teremos crises sim. Mas como devemos lidar com elas de maneira corajosa e construtiva? O que podemos e devemos fazer não apenas para sobreviver e “contornar” a crise em si, como para utilizá-la em nosso beneficio?

As pessoas que não estiverem preparadas para lidar com problemas complexos (e que não se tenham preparado para encontrar maneiras alternativas para agir nas adversidades) terão uma primeira fase de choque, talvez até de pânico e de paralisação, mas uma vez recuperada a razão temos (todos) que nos adaptar.

Haverá aspectos positivos nas crises? Sempre há. Especialmente “descobertas”.

Precisamos entender que a grande questão não é a crise em si, mas como a ela reagimos e o que nela (e, depois, com ela) fazemos. Como seguiremos “vivendo” a despeito dela na sequência?

Alem do famoso sentido duplo da palavra crise, reputado aos chineses, de que a crise é também oportunidade; e de que nela devemos ser criativos, propomos aqui o conceito adicional do aprendizado e da construção.

O tema da crise é muito permeado pela teoria de Darwin, e realmente não importam apenas o seu “tamanho” e sua a extensão (até porque em vários aspectos não se tem nenhum ou pouco controle efetivo disso), mas a reação e a adaptação necessárias.

Tivemos e teremos muitos tipos, e várias durações e dimensões de crises, mas é certo que estarão sempre entre nós. E que raramente se consegue prever quando chegarão.

Ainda que talvez nem todos se lembrem disso a todo momento, reiteremos: “Crises sempre existiram e sempre estarão entre nós”; assim como suas lições e o aprendizado que delas devemos extrair. Fiquemos, pois, com esse aspecto – o positivo!!

Uma vez conscientizados de que crises são também oportunidades e de que com elas devemos aprender (e sermos criativos), o que fazer no campo empresarial e da Advocacia Corporativa?

Uma das características de toda crise “generalizada” (como, por exemplo, as catástrofes, os desastres naturais, as crises econômicas regionais e mundiais e as pandemias) é o aumento da tensão, inclusive social, e, portanto, a chegada de ainda mais conflitos.

A primeira medida é a contenção do pânico, seguida pela busca da razão. Na sequencia, e já no campo empresarial, evitemos as brigas (ou reduzamos seus impactos e extensão).

Tanto quanto possível, tentemos todos evitar que as pessoas e as empresas litiguem, tentemos reduzir o chamado “contencioso”.

São tempos de muita negociação, empatia e consciência coletiva. E é o momento de exercitar a efetiva parceria.

De toda forma, alguns conflitos realmente existirão e os casos que efetivamente se transformarem em litigio terão que ser resolvidos.

Lembremo-nos, pois, das ferramentas disponíveis para essas situações, com criatividade.

A Mediação, inclusive on-line” pode ser uma grande aliada de todos no tocante a esse esperado aumento de conflitos.

Especialmente em tempos difíceis, conflitos que “cresçam” tendem a gerar relações de “perde-perde”, ou seja, todos perdem. Evitemos isso.

Se a crise for geral, já estaremos todos “perdendo” e uma das batalhas e objetivos será justamente reduzir perdas. De tempo, de energia, de recursos, de foco etc.

O conceito e a prática das soluções alternativas de controvérsias (como a arbitragem, a mediação e a conciliação) não são propriamente novidade no Brasil, pois já os utilizamos bastante e há um bom tempo. Mas nas crises são ainda mais importantes e necessárias. Poupam recursos!!

Lembremo-nos, todos, e com ainda mais carinho e atenção, de propor aos empresários e executivos mais e mais a mediação em tempos de crise, pois pode ser um caminho que envolva muito menos tempo, energia, desgaste e custo do que o simples (e caro, desgastante e moroso) acesso ao Judiciário.

A máxima de que um mal acordo é sempre melhor do que uma boa sentença pode não ser uma verdade absoluta, mas sem duvida deve ser lembrada em momentos que demandem recursos para outros fins. E a mediação pode ajudar muito nessa linha de conduta.

Os conflitos precisarão ser resolvidos, mas tanto quanto possível, da forma mais econômica, rápida e eficiente possivel

Se sangrarmos a energia, o tempo, o foco e os recursos das pessoas, e das empresas, com mais e mais litigios (como já mencionamos, naturais e até

crescentes em tempos de crise), estaremos atrapalhando ainda mais a situação de todos.

Atuemos sempre no campo da criatividade e da construção!!

Alem dessas lições e propostas, temos que nos lembrar de que algumas crises podem reduzir até mesmo a possibilidade de encontros e práticas presenciais, sendo preciso (em alguns casos até mesmo essencial) utilizar mais tecnologia e o “mundo virtual”.

Lembremo-nos da necessidade de adaptação e dos ajustes que todos temos que fazer nas crises, bem como dos aprendizados. E troquemos o “perde-perde” do contencioso tradicional e todos os seus custos (não apenas financeiros) pelo “ganha-ganha”; e abramos espaço para as alternativas de solução de controvérsias – em especial as mais modernas, ágeis e eletrônicas.

Observados os cuidados necessários e respeitados os temas, os assuntos e as condições especificas (de cada caso ou grupo deles), tentemos dar prioridade para a mediação digital como forma de solução de controversia.

A arbitragem também se tem adaptada e ajustada ao “mundo digital”, mas via de regra envolve casos maiores e mais complexos, sendo preciso maior avaliação especifica dos profissionais envolvidos; e naturalmente mais tempo.

Advogado Corporativo, executivo, gestor, empresário, adapte-se e aprenda também com a crise, que exige ajustes importantes – e que podem economizar muito em dinheiro e em “dor de cabeça”.

Sejamos criativos e construtivos, aprendendo com os aspectos positivos das crises.

Biografia do Autor

LGPD Leo Leite Advocacia

Leonardo Barém Leite é advogado em São Paulo, especializado em negócios e em advocacia corporativa, sócio sênior da área empresarial de Almeida Advogados, com foco em contratos e projetos, societário, governança corporativa, “Compliance”, fusões e aquisições (M&A), “joint ventures”, mercado de capitais, propriedade intelectual, estratégia de negócios, infraestrutura e atividades reguladas.

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (“São Francisco”) com especialização em direito empresarial, pós graduado em administração e em economia de empresas pela EAESP-FGV/SP, bem como em Gestão de Serviços Jurídicos pela mesma instituição. Pós-graduado em “Law & Economics” pela Escola de Direito da FGV/SP, especializado em Direito Empresarial pela Escola Paulista da Magistratura (EPM) e em Conselho de Administração pelo IBGC/SP. Mestre em “Direito Norte Americano e em Jurisprudência Comparada” pela “New York University School of Law” (NYU/EUA). É membro de diversos conselhos de instituições brasileiras e internacionais, autor de diversas obras sobre gestão jurídica estratégica e direito empresarial, professor em cursos de pós-graduação. Integra várias comissões e comitês de advocacia corporativa em São Paulo e em outros estados. É professor em cursos de especialização em Gestão Estratégica de Departamentos Jurídicos de Empresas na FIA e na FAAP, em São Paulo, e autor de livros sobre o assunto. Foi sócio do escritório Demarest e Almeida – Advogados onde atuou por mais de 20 anos, e também advogado estrangeiro no escritório Sullivan & Cromwell em NY e na Europa nos anos 1990.

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