Honre e cumpra os combinados

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A importância da conquista da confiança, na vida em geral e na Advocacia Corporativa

Por Leonardo Leite

A liderança é um dos pilares da gestão estratégica moderna e muito se escreve, diz, e debate sobre ela – havendo vários estilos e métodos de se abordar o tema.

Um dos pontos que nos parecem fundamentais nesse caso, e que dificilmente alguém ignore no tocante a ela, é o poder da confiança.

Alguém já imaginou a força da confiança que pais e mães, assim como tios e avós, e ainda os professores, exercem sobre as crianças, justamente por serem as pessoas em que mais se confia na infância? Isso vale muito!

O líder precisa liderar, também, pelo exemplo, e assim trabalhar para ter a confiança da equipe.

Torna-se, então, fundamental ter credibilidade; e conseguir que seus pares e equipe acreditem que o que for falado, prometido e combinado será seguido.

Serão a força da palavra empenhada e os comportamentos que reforcem que “o fio do bigode” ainda tem valor, que farão com que (o líder) consiga inspirar, motivar e guiar. E, logo comentaremos um pouco sobre a necessidade de se conquistar essa credibilidade – que não “vem de graça”.

Confiança talvez seja um dos principais, mas necessários e mais profundos conceitos da humanidade, e, também, um dos mais complexos. Até por ser muito difícil de se conseguir e “fácil” de se perder.

Além do chamado “senso comum”, e do conceito geral do termo, ensina-nos o “Aurélio” que confiança pode ser definida como: “Segurança intima de procedimento” e, ainda, “crédito e fé”.

A própria menção à intimidade, que nos apresenta o dicionarista, já comprova que confiança é algo que não existe “por aí”, pois justamente demanda que (antes) seja encontrado um contexto íntimo entre os agentes.

Tanto no substantivo quanto na forma verbal, confiar em alguém exige também um motivo, uma razão, que, “via de regra”, está ligada ao “crédito” do qual alguém dispõe com relação a nós.

Torna-se, assim, importante, que reflitamos um pouco sobre o que gera e constrói, ou destrói, confiança nas relações humanas – sejam elas sociais ou profissionais. E que reflitamos bastante sobre esse tema (no tocante à vida em geral e ao trabalho).

Pergunte-se com verdade e coragem: você honra a sua palavra e o que promete – tanto na vida pessoal quanto na profissional? Essa resposta “diz” muito sobre você.

E mais, se você não tiver absoluta certeza de que é percebido como uma pessoa confiável, comece a rever suas posturas e condutas.

Existem inúmeros exemplos de construção de confiança, como por exemplo entre os militares que precisamos conhecer.

No caso deles é algo estrutural, uma vez que (em combates, assim como em situações de perigo e de tensão) é comum que a vida de um dependa da atitude de outros (e vice-versa), construindo-se assim uma rede de parceria e de confiança – que por vezes os acompanha ao longo de sua existência.

Profissões que necessariamente dependam da atuação em equipe, como os profissionais da área médica que atuem em cirurgias, demandam também uma confiança na habilidade, e na dedicação dos demais.

Em grande medida, todos precisamos conquistar a confiança das pessoas com quem convivemos, assim como queremos nelas confiar.

Ter a confiança de alguém é algo que deve ser considerado muito importante por todos, realmente um tesouro, que precisa ser reconhecido, valorizado e preservado.

A mesma confiança que se se conquista com muita dedicação e com o passar das situações, pode ser jogada fora (e perdida) se faltar o cuidado de manter a credibilidade. Ou seja, é uma postura permanente.

Lembremo-nos, também, dos conceitos de respeito e de empatia, pois prometer sem a intenção de cumprir, e não seguir o que se combina, além de poder ser algo que venha a depor sobre o caráter do envolvido, certamente passa por quebras de outros valores.

O conceito de parceria, assim como o de atuação em equipe, e ainda o de liderança, conversam bem com o tema da confiança, pois não acreditamos em parceiros, e em equipes, que não confiem uns nos outros; assim como não nos parece possível que exista um “cônjuge”, um amigo ou um líder que não se faça confiar.

Pode haver grupos de pessoas, mas dificilmente haverá equipe sem esses pilares que nos parecem básicos e fundamentais.

Namorados, casais, amigos e toda sorte de parceiros precisam de confiança mútua; e o mesmo ocorre nas empresas, embora existam em todas as organizações pessoas que não se parecem importar com informações erradas, omitidas ou não verdadeiras. É uma grande pena e algo que destrói a equipe.

Um dos momentos bastante delicados e com os quais se recomenda enorme cuidado é (por exemplo) a situação de negociar cargos, funções e salários, pois o que você ou o seu “RH” disser precisa ter credibilidade – e tem que ser verdade.

Com pesar sabemos que há empresas que “dizem” que certas coisas não ocorrerão, como ao longo dos períodos de dificuldades ou de cortes, e logo depois se percebe que não eram palavras verdadeiras. O mesmo se passa quando um reconhecimento salarial a um colaborador é negado, por alegada falta de orçamento, mas em caso de necessidade de se tentar manter o colega (que recebe uma proposta “para sair”) o dinheiro aparece. Evitem isso!

Lembrem-se de que a confiança integra a liderança.

Chefes podem receber o seu “poder” e autoridade da organização, ou da estrutura, mas líderes não. Esses precisam conquistar esse papel, esse lugar.

Erroneamente, a nosso ver, diversas empresas (inclusive profissionais de recursos humanos) chamam de líderes meros chefes, que como tais apenas “chefiam” (muitos até pelo terror ou pela força), mas nada e nem ninguém lideram de fato.

Em muitos casos, esses meros chefes não lideram até por não serem capazes de motivar, de guiar, de inspirar e de merecerem confiança do grupo.

Sugerimos a todos que tomem cuidado com essas palavras, pois chamar de líder um mero chefe ou coordenador, demonstra não apenas desconhecimento dos conceitos desses termos como uma certa despreocupação com o contexto.

Um dos primeiros passos a considerar, na caminhada em direção da conquista da confiança de alguém é a atenção com o  que chamamos de “valor da palavra”. Quanto vale a sua?

Em termos bem diretos: A sua palavra (assim como a de todos nós), terá tanto valor quanto as suas atitudes demonstrarem que ela efetivamente tem, ou seja, no quão confiável você comprova ser; e o quanto você mantém e segue o que promete.

Recomendamos, nessa linha, que tomemos (todos), muito cuidado com o que prometemos, e com o que combinamos, uma vez que é questão básica que pessoas que pretendem ser vistas como confiáveis, honrem a sua palavra e o que combinam – que honrem “os combinados”.

Na família, nas amizades, nos relacionamentos, nas equipes e nas empresas é preciso que sejam construídas redes de confiança e de parceria, para apoio recíproco. E tudo isso precisa ser construído – e cuidado!

Se você promete algo, cumpra!! E como sabemos, o “combinado não é caro”, justamente por ter sido combinado.

E mais, lembre-se de que geralmente a pessoa que confia em você é também aquela na qual você espera poder confiar. Quebrando-se o “encanto” de um lado, o mesmo ocorre de imediato com o outro.

Preste atenção, ainda, no que você “cobra” dos outros, mas talvez não faça – e lembre-se de “walk the talk”.

Uma boa sugestão talvez seja falar menos e prometer menos, mas cumprir.

O cuidado com o que se promete e com a “palavra dada”, começa com a responsabilidade com o próprio ato, ou seja, não se deve prometer algo que não se tem absoluto compromisso e certeza de que será cumprido.

Caso alguém nos solicite alguma promessa, “menos mal” será se confessarmos que não temos certeza sobre a possibilidade de o fazermos. Ainda que a situação possa não ser ideal, será preferível a que depois passemos a vergonha de termos a palavra quebrada; e a credibilidade manchada.

Embora algumas pessoas pareçam acreditar que confiança seja algo “automático”, e que esteja mais ou menos disponível a todos, entendemos que na realidade precisemos encará-la como um objetivo e, se possível, uma conquista. E é dessa concepção que surge o valor e o poder do que se alcançou.

Especialmente com o passar dos anos e das experiências, em geral aprendemos que apenas algumas poucas pessoas conquistarão a nossa (confiança), assim como conquistaremos a de alguns. E, ainda, que essa conquista é fruto de uma construção, de um caminho.

Um ponto que queremos reforçar e para tanto repetir é que essa visão da questão precisa ser entendida de maneira bilateral (que quando bem entendida facilita bastante), pois a mesma dificuldade que muitos de nós talvez tenhamos para confiar indiscriminadamente “nos outros”, muitos terão em relação a nós. Temos que “dar motivos” para que em nós confiem.

Um dos poucos “tesouros” que podemos conquistar, e ter na vida, é a “palavra”. O valor e a importância do que chamamos de palavra, no sentido de que as pessoas podem confiar no que dizemos, precisa ser altíssimo. E se você não valorizar a sua, quem valorizará?

Estamos procurando explicar com este artigo que todos os tipos e formatos de parcerias, tanto na vida pessoal quanto na profissional passam pelo mesmo processo. O que muda não é a conduta, mas apenas o relacionamento entre as pessoas.

Referindo-nos mais especificamente aos líderes de equipes, dentre os advogados corporativos, sugerimos que procurem construir no trabalho redes de confiança e de credibilidade recíproca, que por sua vez só existem em empresas sérias e igualmente confiáveis.

Tanto interna quanto externamente, junto a seus “business partners” ou parceiros comerciais em negociações com terceiros, você será digno de crédito à medida em que a sua palavra realmente “tenha algum valor”, e que com isso você mereça a confiança dos demais.

No mundo corporativo é preciso pensar, ainda, na rede de credibilidade à qual se pertence (ou não), pois se você representa uma empresa, é preciso que ambos sejam confiáveis (representante e representado).

Caso a sua empresa não honre a sua palavra e os combinados, vemos como muito provável que você logo procure “outra”, pois dificilmente uma pessoa que tenha essa questão como um valor, e uma base de conduta, conseguirá “sobreviver” em um ambiente que consigo não combine.

Se a sua empresa não pode prometer coisas boas, deveria então considerar não prometer nada, e o mesmo vale para você – em relação às suas próprias posturas em relação à sua equipe.

Notícias ruins e duras são difíceis, e talvez todos preferíssemos não sermos portadores delas, mas é preciso enfrentar os desafios – e dizer a verdade.

Não fuja das tarefas difíceis, e nem mesmo se esconda nesses momentos, pois líderes são, também, os que tem a coragem de dizer o que é preciso, ainda que seja algo indigesto.

A verdade, por mais que às vezes desagrade, e até doa, além de ser “o certo”, é sempre melhor do que a mentira; ou do que a promessa quebrada e o combinado desfeito.

Diversas leis, assim como a governança corporativa e o “compliance”, no caso das empresas, procuram “orientar” organizações e executivos a fazerem as coisas certas, e da forma certa. Lembremo-nos disso como auxiliares da construção e a da manutenção da credibilidade empresarial.

Lembremo-nos de que caso, em algum momento, não pudermos prometer o que alguém gostaria de ouvir, sempre haverá a chance de, numa outra oportunidade posterior, isso vir a ser possível – se mantida a confiança (apenas se esta não tiver sido quebrada!).

A confiança, e a palavra, nesse sentido, são como cristais, que podem ser lindos enquanto brilhantes e inteiros, mas que se jogados ao chão e quebrados não mais se colam. E nem valem mais nada.

Um líder que “traia” a sua equipe, que prometa o que não cumpra, que engane ou que esconda informações importantes, assim que “desmascarado”, certamente perderá toda a sua credibilidade; e com isso a liderança e a equipe.

Cuide bem do que promete e do que combina. São conceitos fundamentais e importantíssimos. E os seus parceiros e liderados estão de olho!

Biografia do Autor

LGPD Leo Leite Advocacia

Leonardo Barém Leite é advogado em São Paulo, especializado em negócios e em advocacia corporativa, sócio sênior da área empresarial de Almeida Advogados, com foco em contratos e projetos, societário, governança corporativa, “Compliance”, fusões e aquisições (M&A), “joint ventures”, mercado de capitais, propriedade intelectual, estratégia de negócios, infraestrutura e atividades reguladas.

Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (“São Francisco”) com especialização em direito empresarial, pós graduado em administração e em economia de empresas pela EAESP-FGV/SP, bem como em Gestão de Serviços Jurídicos pela mesma instituição. Pós-graduado em “Law & Economics” pela Escola de Direito da FGV/SP, especializado em Direito Empresarial pela Escola Paulista da Magistratura (EPM) e em Conselho de Administração pelo IBGC/SP. Mestre em “Direito Norte Americano e em Jurisprudência Comparada” pela “New York University School of Law” (NYU/EUA). É membro de diversos conselhos de instituições brasileiras e internacionais, autor de diversas obras sobre gestão jurídica estratégica e direito empresarial, professor em cursos de pós-graduação. Integra várias comissões e comitês de advocacia corporativa em São Paulo e em outros estados. É professor em cursos de especialização em Gestão Estratégica de Departamentos Jurídicos de Empresas na FIA e na FAAP, em São Paulo, e autor de livros sobre o assunto. Foi sócio do escritório Demarest e Almeida – Advogados onde atuou por mais de 20 anos, e também advogado estrangeiro no escritório Sullivan & Cromwell em NY e na Europa nos anos 1990.


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